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Sob os olhos de um oriundo

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Italia no sangue, jus sanguis, eis que volto à terra de meus bisavós e avós – toscanos, vênetos, emilianos e lombaridos.

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Italia no sangue, jus sanguis, eis que volto à terra de meus bisavós e avós – toscanos, vênetos, emilianos e lombaridos. Se das outras vezes desembarquei na Itália como turista e, ao mesmo tempo, como jornalista a serviço de jornais regionais, desta vez viajo em companhia da minha esposa, também ela oriunda (neta de sicilianos), numa espécie de segunda e mais ampla lua-mel.
Mas um jornalista sempre jornalista será mesmo de férias ao lado da mulher está casado há quase 22 anos.
Antes de partir, combinei com a o amico Giorgo Castore, da redação de Italiani, que aproveitaria esta viagem para guardar impressões sobre duas “Itálias”: aquela que,como oriundo, carrego no coração e na alma; e aquela real, que acompanho à distância no noticiário e nas imagens via internet, e que por 10 dias poderei observar e escutar com olhos e ouvidos atento.
O confronto entre essas duas Itálias começa logo no voo que, em etapas, nos leva de São Paulo a Roma. Nada melhor que sentir o gosto da italianidade a bordo de um aeronave de bandeira italiana. É como se o ar pressurisado a bordo já viesse carregado de micro partículas da Via Apia Antica ou das tintas renascentistas impregnadas nos imaginários pinceis de Raffaello, Botticelli, Michelangelo, Tintoretto…
Mas entre o querer e o poder, existe a imensidão do oceano Atlântico da globalização, fenômeno frente à qual Italia e o “made in Italy” não conseguem se impor. E não se trata aqui da concorrência chinesa. A boa oferta, desta vez, vem de bandeira européia.
Em outras palavras. Viajar pela Alitalia a partir do Brasil é caro demais no confronto com a também europeia e ibérica TAP. Resultado: com dor no coração, antes de Roma, uma parada de 90 minutos em Lisboa, com direito a “penne al sugo”com tempero lusitano. Mas querem saber a verdade? Estavam “al dente” e tinham sabor. No outono italiano de 2011, servido pela Alitalia, deixei de lado uma massa “stracotta” e sem sal.
O computador de bordo mostra que acabamos de cruzar a linha do Equador. Em poucas horas poderei dizer Viva L’Italia. A propósito, tenho no meu celular essa maravilhosa canção de Francesco De Gregori. Uma linda melodia com rimas que lidas e ouvidas em pleno 2015 me dão uma certeza: a Italia que gentilmente receberá de braços abertos o casal Fiora é, verdadeiramente, um país repleto dos paradoxos dos quais nos fala De Gregori e do quais falarei em futuros artigos nesta revista.
Uma Itália que sempre “rendida e traída”, ainda hoje “caminha numa noite triste”, mas bravamente “resiste”, não é mesmo caro Di Gregori?

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::autore_::de Eduardo Fiora::/autore_:: ::cck::367::/cck::

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